
As declarações do senador Aécio Neves, presidente nacional do PSDB, em defesa da candidatura do senador Cássio Cunha Lima ao governo do Estado foram suficientes para balançar o tabuleiro político na Paraíba.
Tucanos menos afeitos à aliança como PSB do governador Ricardo Coutinho quase que foram as ruas soltar fogos, como se tivessem conquistado a Copa do Mundo. A oposição, que vibra com tudo que pareça desagradar ao governo, também não conseguiu esconder a satisfação e foi dormir bem.
Ilusões artificiais. Mais do que perder tempo discutindo o que motivou Aécio a dizer o que disse, em que pese, como amigo de Cássio e presidente do PSDB Nacional, ele não poderia dizer diferente, é interessante analisar os efeitos.
O governador Ricardo Coutinho deveria telefonar para o senador Aécio Neves agradecendo o gesto de ontem.
Como já dissemos repetidas vezes, nada contribui mais para o projeto de reeleição do governador do que a realimentação permanente da candidatura de Cássio Cunha Lima. Todas as vezes que isso acontece os verdadeiros candidatos de oposição, aqueles que não estarão no palanque de Ricardo, se apequenam diante do processo e, praticamente, saem de cena.
O cenário volta a ser apenas um: Cássio e Ricardo. E nada mais.
O curioso é que esse processo é cíclico. Todas as vezes que a especulação sobre o rompimento toma corpo, Cássio e Ricardo se encontram e colocam um ponto final da novela. Logo, depois, a especulação retorna. E só os dois dominam a cena.
Lembre-se que a última “crise” veio com a demissão de Marco Túlio da Cagepa. Rompe, não rompe. Ricardo recebe Cássio na Granja Santana e os dois jantam juntos dividindo as mesmas intenções pra 2014. O tema esfriou. Ontem, Aécio acendeu o fogo novamente. E nesse vai e vém só duas pessoas dominam o palco: Cássio e Ricardo.
É claro que o gesto de Aécio, além de envaidecedor pra Cássio, deixa o tucano em situação favorável internamente no PSDB e externamente para a construção do diálogo como o PSB. Mas são os tucanos que tem obrigação de valorizar suas lideranças.
A oposição é que, vivendo a ilusão que acerta em comemorar migalhas de rompimento, vai descobrir lá na frente que não deveria ter roteirizado a novela com apenas dois personagens.
Luís Tôrres




