Um vereador da oposição na Câmara Municipal de João Pessoa garante estar levantando material que, se comprovado, deverá revelar um dos maiores escândalos destes cinco primeiros meses da gestão do prefeito Luciano Cartaxo (PT). Algo que representaria um exemplo claro do que é misturar o público com o privado.
Autor da lei que garantiu anistia de 30% do valor total dos débitos dos cartórios com a prefeitura de João Pessoa, por si só um ato que provocou críticas por beneficiar uma das categorias que mais arrecada no setor de serviços, o prefeito petista, segundo o vereador, já estaria desfrutando as recompensas pelo “presente” dado ao segmento.
Neste final de semana, teria superado os 800 quilômetros que separam João Pessoa de Salvador viajando no jatinho do empresário Júnior Evangelista, dono do cartório Eunápio Torres, o maior de João Pessoa. A aeronave? Um Phenom 100, da Embraer, vendida em média por 3,5 milhões de dólares, cara e confortável, como uma anistia de débito.
O blog, no entanto, não tem confirmação oficial da acusação. Nem muito menos viu as provas que o vereador diz possuir pra detonar em breve na Câmara Municipal de João Pessoa.
Mas sabe que o prefeito Luciano Cartaxo viajou, de fato, para Salvador neste final de semana, partindo no sábado, a convite do presidente da Confederação Brasileira de Automobilismo, Cleyton Pinteiro, para acompanhar uma prova da Sotck Car, GP da Bahia, com intuito de articular a realização de uma edição do evento em João Pessoa, conforme divulgou em primeira mão o colega Pettronio Torres, na semana passada, em seu blog no Paraiba.com.br e no programa Rádio Verdade, da Arapuan FM.
A propósito, em se tratando de Stock Car, uma conquista em tanto pra João Pessoa, se confirmada, por aquecer ainda mais turismo ao inserir a capital paraibana em circuitos de eventos esportivos nacionais, com ampla cobertura da mídia nacional.
É de se estranhar, no entanto, que o prefeito não tenha feito a divulgação oficial de sua viagem, que foi tratada no mais absoluto sigilo. Nem informação produzida pela prefeitura, nem ao menos fotografias ou anúncios postados nas páginas pessoais do prefeito nas redes sociais, como o petista fez quando foi ao Maracanã, por exemplo, com os filhos.
A versão da prefeitura é que o sigilo foi adotado pra não criar falsa expectativa na população. A história ou estória do vereador, de todo jeito, precisa ser passada a limpo.
Nem que para isso seja necessário se evocar a inversão do ônus da prova, forçando o prefeito, antes de qualquer denúncia, seja embasada ou infundada, dizer ao povo de João Pessoa o que foi fazer em Salvador e, especialmente, se viajou num avião particular ou comercial, para dirimir quaisquer dúvidas.
Aliás, quando foi fisgado pela imprensa nacional por ter viajado pra Roma no jatinho do empresário João Dória Jr, o ministro Fernando Pimentel, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, sacou do o artigo 7º do código de Conduta da Alta Administração Federal pra provar que é autorizada a participação de servidores e autoridades públicas em eventos organizados por terceiros, "inclusive com o pagamento de eventuais despesas de transporte, desde que a participação seja tornada pública".
O ex-ministro do Trabalho, Carlos Lupi, que foi fisgado por ter usado um avião alugado por um empresário dono de ONG que matinha contratos milionários com o ministério não teve a mesma sorte e acabou sendo forçado a pedir demissão. Aliás, o problema de Lupi foi, exatamente, ter escondido a viagem inicialmente e só admitido após as provas aparecerem de forma inquestionável.
Nos dois casos, faltou divulgação prévia.
Ao tempo em que se dispõe a apurar os indícios apontados pelo vereador, o blog pede que o prefeito Luciano Cartaxo se antecipe e mate de vez esse assunto. Pra que a indignação popular sobrevoe apenas a questão da anistia.
Porque, com ou sem viagem como favor, o caso do perdão dos débitos dos cartórios em João Pessoa já poderia, isoladamente, ser considerado um escândalo, uma vez que a prefeitura abriu mão de arrecadar dinheiro (num valor que nem dimensiona) que seria utilizado em favor da coletividade, beneficiando um segmento que, como já dissemos, nada em dinheiro. Quer dizer, voa.
Luís Tôrres